José Alves, o sambista e poeta que fez história no Carnaval de Araçatuba

Ele foi um dos pioneiros do Carnaval de rua de Araçatuba. Compôs sambas-enredos e marchinhas que marcaram a Festa de Momo na cidade.
José Alves: sambista, carnavalesco e poeta; na foto, com seu livro de poemas lançado em 1994.
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Ele foi um dos pioneiros do Carnaval de rua de Araçatuba. Compôs sambas-enredos e marchinhas que marcaram a Festa de Momo na cidade. Sagrou-se campeão ao menos 18 vezes com suas escolas de samba. Nestes dias de folia, impossível não se lembrar de José Alves, carnavalesco, cantor, compositor e poeta araçatubense, que faria 90 anos em 2025, se estivesse vivo.

José Alves entrou no mundo do glíter, purpirina e samba pelas mãos do pintor de paredes Juca França, fundador daquela que é considerada a precursora das escolas de samba de Araçatuba, “Juca e sua escola de samba”. Era o ano de 1958, ano do cinquentenário da cidade. José Alves aproveitou a data e fez um samba-enredo sobre o tema.

Na época, também compôs a marchinha do lendário bloco “Os Serranos”, a pedido de Geny Rico (Não quero mais brincar o carnaval/Se acaso o Serrano acabar/Serrano, é você que todo ano/Anima o carnaval e faz a gente se alegrar.)

Um ano depois, em 1959, decide criar a própria escola de samba, junto com o ferroviário Vital de Souza, o Parafuso.

A agremiação ganhou o nome de Rosa Branca, em homenagem às cabrochas que usavam saia branca. Para a Rosa Branca, trouxe o que aprendeu no Rio e em São Paulo, onde frequentava escolas de samba.

José Alves dizia que, em sua contabilidade, venceu o carnaval araçatubense 18 vezes, primeiro como Rosa Branca, depois como Acadêmicos do Samba.

Em 1976, decidiu parar com a folia, mas voltou em 1988, ano em que se comemorou o centenário da Abolição da Escravatura.

Na época, compôs um samba-enredo sobre o tema para a Unidos da Zona Norte (O negro quer libertação/Há 100 anos a princesa assinou a abolição/Desde então, o negro espera amor e compreensão/ E só recebe preconceito, injustiça e ingratidão).

Foi o último carnaval de que participou. Disse que não era mais a mesma coisa, por causa da interferência política no carnaval.

Antes de cair na folia, foi cantor de orquestras

Antes de cair na folia, José Alves teve uma bela trajetória como cantor de orquestras. Começou a soltar a voz aos 12 anos, quando assistia aos ensaios de uma banda. Os músicos se encantaram com sua voz e, assim, começava a sua trajetória na música.

Ainda adolescente, foi para São Paulo, aos 17 anos. Ficava na esquina da Ipiranga com a Avenida São João, ponto de encontro de músicos, à procura de trabalho.

Cantava em bares, boates e festas. No repertório, bolero, samba, músicas românticas e internacionais, como “All The Way”, imortalizada na voz de Frank Sinatra. Seguiu na profissão de cantar por 20 anos e depois passou a se dedicar à outra paixão: o carnaval.

Poeta

José Alves também escreveu o livro “Estes meus versos são teus”, publicado em 1994. Compôs dezenas de canções, uma inclusive, em homenagem ao Pelé, que foi gravada pelo cantor araçatubense Mário Eugênio.

“Essa era para fazer sucesso, mas não tive apoio na época”, disse, em 2012. Alves compôs também o Hino da AEA (Associação Esportiva Araçatuba).

Filho seguiu os passos do pai

O filho de José Alves, Malcolm Lima, seguiu os passos do pai – é compositor e músico. É um dos autores do sucesso “Humilde Residência”, sucesso na voz de Michel Teló.

A música é uma parceria de Malcolm com os compositores Tiago Marcelo, Luis Henrique Paloni e Fernando Paloni.

Últimos dias e morte

Nos últimos seis anos de vida, enfrentou o Alzheimer. Era hipertenso e diabético. Tinha dificuldade para falar e em reconhecer as pessoas.

Faleceu no dia 18 de abril de 2018, em Araçatuba, pouco antes de completar os 83 anos de idade que faria no dia 31 de julho daquele ano.

Homenagem Póstuma

José Alves foi um dos homenageados neste Carnaval, com uma exposição organizada por Rosvel Menezes, fundador da escola de samba Virada do Sol.

A mostra ficou em exposição no saguão do Teatro Municipal Castro Alves, em Araçatuba (SP).


 

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