Dor, lágrimas e revolta marcaram o enterro da ciclista Thais Bonatti de Andrade, de 30 anos, na tarde deste domingo (27), em Araçatuba. A jovem foi vítima de um atropelamento na última quinta-feira (24), quando pedalava para o trabalho e foi atingida por uma caminhonete conduzida por um juiz aposentado de 61 anos que estava com uma mulher no colo. Ele apresentava sinais de embriaguez.
No Cemitério Recanto da Paz, o clima era de profunda comoção. Familiares inconsoláveis se amparavam em abraços e orações. O irmão, Willian Bonatti, visivelmente abalado, permaneceu ao lado do caixão durante todo o sepultamento.
A mãe, o pai, uma tia e uma prima muito próxima choravam sem consolo. Todos expressavam, além da dor da perda, a revolta com a forma trágica e repentina como Thais teve sua vida interrompida. “Ela era luz, era força, era futuro. Agora virou ausência”, desabafou a prima, sem conseguir conter o choro.
Rap traduz a indignação pela tragédia
Nas redes sociais, centenas de pessoas se manifestaram, não só em Araçatuba, mas em diferentes regiões do País e até no exterior, mostrando a indignação pela tragédia vivida por Thaís e que teve início naquela manhã de quinta-feira.
A jovem lutou pela vida dois dias, mas seu estado era considerado grave e instável, com múltiplas fraturas, inclusive craniana, além do rompimento do baço e coágulo no cérebro.
Uma das homenagens à jovem foi feita por meio de um rap, ainda de autoria desconhecida, que transformou a dor em poesia e, ao mesmo tempo, denuncia a indignação de uma população que se sente injustiçada.
O rap é um gênero musical com rima ritmada e falada e conteúdo crítico, social ou de denúncia. Um dos trechos da música em homenagem a Thaís, diz:
“Ela pedalava cedo com rosto no vento | Dois empregos no currículo, zero arrependimento |
Cuidava da mãe doente, guerreira no batente | Sonhava com futuro mesmo sendo tão diferente...”
Mas a parte que mais impactou familiares e amigos foi aquele que denuncia a disparidade social e a sensação de impunidade que paira sobre o caso:
“40 mil não pagam nada, se a vida foi levada | Na esquina errada, justiça não é fiança | Nem se vale o papel, é chorar no velório | Pedindo socorro para o céu…”
Fiança de R$ 40 mil
O juiz aposentado, responsável pelo atropelamento, foi preso em flagrante, mas liberado após audiência de custódia mediante o pagamento de R$ 40 mil de fiança. Desde então, o clamor popular por justiça na cidade só aumenta.
