Um motorista de aplicativo tentou convencer o juiz aposentado de 61 anos, que atropelou e matou a ciclista Thaís Bonatti de Andrade, 30 anos, a não conduzir a sua caminhonete Ford Ranger, e chegou a oferecer os seus serviços, para levá-lo para casa, diante do seu estado de embriaguez.
O motorista, que prestou depoimento à Polícia Civil, contou que trabalha como “Uber” há cerca de um ano e meio, e que tem como ponto fixo a boate onde o juiz havia passado a noite.
Ele relatou que o magistrado e a acompanhante, que trabalha como garota de programa na boate, chegaram ao local por volta de meia-noite e vinte de quinta-feira, 24 de julho, e saíram de lá às 10h40.
Depois de recusar a oferta do motorista de aplicativo, o juiz saiu com sua caminhonete sentido ao shopping Praça Nova, juntamente com a mulher. O motorista, então, decidiu seguir os dois, pois temia pela vida da acompanhante, que é sua amiga e já fez várias corridas com ele.
O motorista de aplicativo contou à Polícia que, em dado momento, o juiz encontrou na contramão da rua da Fundação Mirim, e somente tomou a via correta quando já estava pela rua Porangaba.
Ele relatou, ainda, que o juiz parou na avenida Waldemar Alves, quase em frente a uma passagem de pedestres, quando a mulher tentou sentar no colo do magistrado, que acelerou. Neste momento, ele viu Thaís Bonatti ser atropelada.
“Como a cena foi muito forte, fiquei apenas conversando com C. (a mulher), que estava muito nervosa e buscou abrigo dentro do supermercado, onde permaneci com ela”, relatou.
O motorista de aplicativo afirmou também que não conhece o juiz, mas disse que ele permaneceu na boate com outras meninas durante a madrugada “e consumiu bastante bebida alcóolica”.
