O juiz aposentado Fernando Augusto Fontes Rodrigues Júnior, 61 anos, e Carolina Silva Almeida, mulher que estava com ele na caminhonete no momento em que a ciclista Thaís Bonatti, 30 anos, foi atropelada, na manhã do dia 24 de julho, participaram da reprodução simulada do atropelamento, nesta quinta-feira, 6 de agosto.
Peritos criminais do Instituto de Criminalística, equipes da Polícia Civil e da Guarda Municipal chegaram cedo à rotatória das avenidas Waldemar Alves com a João Arruda Brasil, próximo à rua Porangaba. O local foi interditado para o trânsito.
O delegado do caso, Guilherme Melchior, responsável pelas investigações, acompanhou os trabalhos, assim como os advogados das partes.
A reconstituição durou quase três horas e foi realizada a partir do momento em que o juiz parou a caminhonete, na avenida João Arruda Brasil, ao lado do depósito de um supermercado.
Versões
A primeira versão reproduzida foi a do juiz que, em seu depoimento, disse à polícia que não viu a ciclista. Foi utilizada a mesma caminhonete conduzida por ele no dia do atropelamento.
Ao lado dele, uma policial civil ficou no banco do passageiro fazendo o papel da acompanhante. Outra policial simulou ser Thaís Bonatti, em uma bicicleta. Após a sua participação na reconstituição, o juiz deixou o local em uma viatura da Polícia Civil.
Na sequência, foi reconstituída a versão da acompanhante. Um policial civil passou a dirigir o veículo no lugar do juiz, para que a mulher contasse o que teria ocorrido, segundo ela, no dia do atropelamento.
A Polícia também reproduziu as versões de duas testemunhas. Tudo foi registrado pela perícia técnica, a quem caberá fazer um relatório que será anexado ao inquérito que investiga o caso.
Por enquanto, o caso vem sendo investigado como homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. Até agora, a acompanhante não foi indiciada e vem sendo tratada como testemunha.
Morte e protesto
Thaís Bonatti morreu no dia 26 de julho, na Santa Casa de Araçatuba (SP), onde lutou pela vida durante dois dias.
Na última sexta-feira, 2, familiares, amigos e populares fizeram um protesto pacífico em frente à casa do juiz, pedindo justiça pela jovem.
Embriaguez, nudez e colo
Um exame clínico feito no Instituto Médico Legal (IML) apontou que o juiz estava alcoolizado no momento do acidente. Testemunhas também relataram que o magistrado apresentava odor etílico, voz pastosa e dificuldade de locomoção.
Além disso, uma testemunha ouvida pela polícia relatou que a acompanhante do juiz estava seminua e sentada em seu colo na hora do acidente.
