Mahatma Gandhi, que atuou 6 anos em Araçatuba, é investigada por desvios de recursos da saúde

Organização Social teria desviado mais de US$ 1,6 bilhão de recursos públicos que deveriam ser direcionados para a saúde pública.
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A Organização Social Mahatma Gandhi, que atuou em Araçatuba (SP) no período de 2019 a 2025, foi alvo de operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, nesta quinta-feira, 7 de agosto. Denominada de “Duas Caras”, a operação tem como objetivo desbaratar esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a gestão da OS na área de saúde. A investigação aponta o desvio de mais de US$ 1,6 bilhão.

Segundo o MP, foram expedidos mais de uma centena de mandados, entre eles 12 de prisão temporária e outros para afastamento da entidade, busca e apreensão e indisponibilidade de bens para cumprimento nos municípios paulistas de Catanduva, Arujá, Carapicuíba, Piracicaba, Viradouro e Bauru, além de Rio de Janeiro (RJ), Maricá (RJ), Alfredo Chaves (ES), Palhoça (SC), Itapoá (SC), Mafra (SC) e São José (SC).

A Duas Caras tem abrangência interestadual, pois a Mahatma Gandhi, que é tratada como organização criminosa pelo Ministério Público, atuava nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Dentre as ações da Organização Social está a criação de um departamento extraoficial para múltiplas finalidades, entre elas realizar contabilidade paralela e viabilizar pagamentos e benefícios indevidos com o intuito de ampliar o lobby e conseguir contratos de gestão e seus respectivos financiamentos públicos.

O MP afirma que a obtenção de recursos permitia o aumento do lucro dos responsáveis pelo esquema, pois possibilitava a instalação das respectivas empresas na execução dos convênios.

A gestão fraudulenta da organização social, ainda segundo o Ministério Público, provocou reflexos nos serviços públicos de saúde, inclusive com relatos de mortes em unidades administradas pelo grupo e grande número de ações trabalhistas.

A Justiça determinou a intervenção na entidade com o objetivo de sanear a sua administração e garantir a prestação proba e eficiente dos serviços de saúde contratados. A determinação judicial ainda proibiu a rescisão dos contratos de gestão pelo prazo de 30 dias com o intuito de evitar tanto a interrupção abrupta dos serviços de saúde quanto reflexos negativos para os trabalhadores da organização social.

Em Araçatuba, a Mahatma Gandhi prestou serviços até maio deste ano e foi substituída pela Zatti Saúde, em 1º de junho deste ano, na gestão das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e da saúde mental.

A operação contou com uma atuação interinstitucional comandada pelo GAECO paulista em conjunto com os Ministérios Públicos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, assim como com Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo, Receita Federal e Polícia Militar paulista.  A Polícia Federal, por sua vez, também deflagrou operação com vistas a apurar desvios da saúde pelo mesmo grupo criminoso, só que relacionadas a verbas públicas desviadas do município de Bebedouro. Este modelo investigativo e operacional permite fortalecer o enfrentamento das organizações criminosas pelo Estado e recuperar a dignidade do atendimento de saúde aos cidadãos, potencializando a recuperação dos recursos desviados. 

A escolha do nome da operação se deu em virtude do modus operandi da organização criminosa, que contratava as próprias empresas do grupo em seus contratos de gestão. Elas eram destinadas à emissão de notas fiscais frias e superfaturadas. Existe ainda uma conotação ética, pois enquanto os gestores da entidade se posicionam como benfeitores, drenavam recursos do ente em benefício próprio e de terceiros.

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