“Hoje é o meu aniversário, é um dos piores dias da minha vida”, escreve Clarice Bonatti, mãe de Thaís Bonatti de Andrade, morta aos 30 anos ao ser atropelada por um juiz aposentado enquanto seguia de bicicleta. “Ela prometeu: ‘Mãe, no aniversário da Senhora eu vou fazer um bolo, vou chamar a família e nós vamos almoçar fora…’”, continua a carta.
Clarice relata que a filha “era a alegria de todos nas festas” e que a ausência transformou os dias em “noites mal dormidas e dias escuros”. A mãe reforça: “Meu coração continuará despedaçado até o meu último suspiro. Só Deus e eu sabemos quanta falta você nos faz.”
Ela pede providências: “Gostaria que o Poder Judiciário, o Juiz, o Promotor de Justiça e os órgãos competentes olhassem com muito carinho esse caso, porque aqui é uma mãe que vai chorar o resto da vida e espera por justiça.”
No texto, Clarice denuncia que a morte foi causada por “um cidadão, conhecedor da lei, que tirou ela de mim”, e conclui com a promessa feita no cemitério: “FILHA, NÓS VAMOS ATÉ O FIM!!! POR VOCÊ, POR JUSTIÇA!!!”
O caso, que segue em investigação, reacende debates sobre a segurança de ciclistas, fiscalização de motoristas alcoolizados e a percepção de privilégios a autoridades.
Especialistas em mobilidade defendem que tragédias como a de Thaís impulsionem políticas públicas de prevenção e fiscalização. Para Clarice, porém, o foco é claro: “Que a vida da Thaís Bonatti não seja apenas estatística e mais um número.”