A atriz e cantora francesa Brigitte Bardot morreu aos 91 anos neste domingo (28), conforme anunciou a fundação que leva seu nome. A Fundação Brigitte Bardot divulgou nota informando “com imensa tristeza” o falecimento de sua fundadora e presidente, “atriz e cantora de renome mundial, que escolheu abandonar sua carreira prestigiosa para dedicar sua vida e sua energia à causa do bem-estar animal e à sua fundação”. O comunicado não especificou a causa nem o local exato da morte.
Nascida Brigitte Anne-Marie Bardot em Paris, ela começou a carreira como dançarina, tornou-se modelo em 1949 e foi descoberta pelo diretor Roger Vadim no ano seguinte. Em 1956, aos 22 anos, protagonizou ao lado de Vadim o filme “E Deus Criou a Mulher”, que a transformou instantaneamente em sex-symbol internacional. A obra, de teor erótico, foi banida em nações conservadoras e enfrentou censura nos Estados Unidos, onde a Liga da Decência Católica condenou o longa.
Bardot se tornou musa de importantes cineastas como Jean-Luc Godard e Louis Malle, além das grifes Dior, Balmain e Pierre Cardin. Como referência de estilo, ela popularizou o biquíni quando os maiôs eram regra e inspirou o penteado sauerkraut, no qual a parte traseira do cabelo é presa e erguida enquanto a franja fica sobre os olhos delineados. O corte de blusas que deixam os ombros expostos hoje leva o nome “Bardot” em sua homenagem.
Ativismo animal e aposentadoria
A atriz decidiu se retirar “elegantemente” da indústria cinematográfica em 1973, aos 39 anos, após atuar em seu último filme. No ano seguinte, posou nua para a Playboy italiana como comemoração de sua quarta década de vida. Afastada do cinema, dedicou-se inteiramente ao ativismo pelos direitos dos animais e fundou a Brigitte Bardot Foundation em 1986, organização ainda em atividade.
Ligação com Búzios
Brigitte Bardot estabeleceu forte laço com Búzios, no Rio de Janeiro, após visitar o então vilarejo de pescadores em janeiro de 1964. Buscando refúgio no auge de sua carreira, a atriz se hospedou em uma casa na Praia de Manguinhos e permaneceu circulando livremente pela região por mais de três meses, acompanhada do namorado franco-brasileiro-marroquino Bob Zagury. Com os holofotes voltados para Búzios após a estadia da francesa, a localidade se tornou atração turística cobiçada e foco de investimentos diversos.
Em 1999, quatro anos após Búzios se oficializar como município, a cidade inaugurou uma estátua de bronze da atriz entre a Rua das Pedras e a Praia da Armação. A orla que circunda a obra foi nomeada em homenagem a Bardot, e até hoje turistas e moradores posam ao lado da estátua diariamente.
Vida pessoal e polêmicas
Bardot casou-se quatro vezes ao longo da vida. Divorciou-se de Roger Vadim em 1957, casou-se com o ator Jacques Charrier em 1959, com quem teve seu único filho, Nicolas, hoje com 65 anos. Seu relacionamento mais duradouro foi com o viúvo Bernard d’Ormale, de 84 anos, com quem se casou em 1992.
Apesar de simbolizar a libertação feminina nos anos 1960, a atriz demonstrou posicionamentos polarizantes em décadas posteriores. Foi multada em seis ocasiões diferentes por incitar o ódio racial contra povos islâmicos e, em 2018, criticou o movimento Me Too, afirmando que “muitas flertam com produtores para conseguir o papel, depois contam a história como se houvessem sido assediadas”. Em 2012 e 2017, endossou as campanhas presidenciais da líder de extrema-direita Marine Le Pen.