Por que o sarampo preocupa? Entenda os riscos e a importância da vacina

Não existe medicamento específico para curar o sarampo, e o manejo informado é direcionado ao alívio dos sintomas.
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O Brasil já confirmou 24 casos de sarampo em 2026, sendo 23 no estado de São Paulo. Diante dos registros, as autoridades reforçam a importância da vacinação, especialmente entre crianças. A atenção também se deve às características da doença: o sarampo é uma infecção viral de altíssima transmissibilidade por via respiratória e está entre as doenças mais contagiosas do mundo.

Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir o sarampo para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes. A pediatra Heloisa Ihle Garcia Giamberardino, coordenadora do Centro de Vacinas do Hospital Pequeno Príncipe, afirma que a doença funciona como um indicador de qualidade vacinal e de adesão às vacinas devido à alta transmissibilidade. “Quando começam a aparecer casos, mostra uma baixa cobertura vacinal”, afirma.

O sarampo está entre as doenças exantemáticas, que causam erupções cutâneas. Os sintomas podem surgir em torno de 7 a 14 dias após o contato com alguém com sarampo e incluem febre alta acima de 38,5°C, manchas vermelhas, conjuntivite não purulenta, coriza, tosse e secreção. O infectologista pediátrico Victor Horácio afirma que o diagnóstico clínico não é difícil de ser feito e destaca ainda as manchas de Koplik, descritas como um salpicado esbranquiçado dentro da boca. Segundo o especialista, elas podem ser observadas 72 horas antes do aparecimento do rash cutâneo.

Além da alta capacidade de transmissão, o sarampo pode provocar complicações graves. De acordo com dados atribuídos ao Ministério da Saúde, uma em cada 20 crianças com a doença pode desenvolver pneumonia, apontada como a causa mais comum de morte por sarampo nessa faixa etária. A otite média aguda ocorre em uma a cada dez crianças e pode resultar em perda auditiva permanente. Entre uma e quatro a cada mil podem desenvolver encefalite aguda, e 10% delas podem morrer. Ainda segundo os dados apresentados, uma a três em cada mil crianças doentes podem morrer em decorrência de complicações. Victor Horácio também descreve a panencefalite esclerosante subaguda (PEES) como uma doença neurodegenerativa progressiva, fatal e rara, causada por infecção persistente e mutante do vírus do sarampo.

A vacinação segue o esquema informado do Programa Nacional de Imunizações (PNI), baseado em duas doses da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A primeira dose é indicada aos 12 meses e a segunda, geralmente tetraviral, aos 15 meses. Quem já recebeu as duas doses na infância não precisa se revacinar. A recomendação apresentada também orienta pessoas de até 59 anos sem comprovação das duas doses a se vacinarem. O imunizante é contraindicado para gestantes e pessoas imunocomprometidas.

Os registros recentes ajudam a dimensionar o cenário. Em 2025, o Brasil confirmou 38 casos de sarampo, sem transmissão interna sustentada. No mesmo ano, 92,5% dos bebês tomaram a primeira dose da vacina, enquanto 77,9% completaram o esquema no prazo correto. Nas Américas, foram registrados 47.459 casos de sarampo até 18 de julho de 2026.

Não existe medicamento específico para curar o sarampo, e o manejo informado é direcionado ao alívio dos sintomas. A orientação pediátrica é indicada para avaliação de cada caso. Sobre a prevenção, Heloisa afirma que “a vacina é segura, tranquila e bem-tolerada, sem praticamente nenhuma reação adversa”. A especialista também diz que o sarampo é uma doença de fácil controle com vacinação e afirma que vacinados não pegam sarampo.

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