O Governo de São Paulo prepara um pacote de R$ 29 bilhões em ações até 2029 para aumentar a capacidade do Estado de enfrentar os impactos do El Niño e outros eventos climáticos extremos.
A estratégia será apresentada oficialmente nesta quinta-feira (15), às 15h, no Palácio dos Bandeirantes, durante o lançamento da Operação El Niño 2026-2027 e a apresentação das diretrizes do Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC).
Segundo informações antecipadas nesta quinta-feira sobre o plano, serão 181 medidas, envolvendo cerca de 50 instituições, com ações de prevenção, preparação, resposta e recuperação.
Entre as frentes previstas estão segurança hídrica, combate a enchentes e estiagens, redução dos riscos de falta de água, monitoramento climático, saúde pública e proteção de famílias que vivem em áreas vulneráveis.
El Niño pode ser um dos mais fortes desde 1950
A mobilização ocorre diante de um cenário climático considerado de atenção para os próximos meses.
O Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos federais como Inpe, Inmet, ANA, Cemaden e Defesa Civil Nacional, aponta 95% de probabilidade de que o fenômeno atinja intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
Caso a projeção se confirme, o atual El Niño poderá figurar entre os episódios mais intensos registrados desde 1950.
O fenômeno já está configurado desde junho e deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
Os órgãos federais ressaltam, entretanto, que a intensidade do El Niño não significa que todas as regiões sofrerão impactos na mesma proporção. Os efeitos dependem também de outros fatores atmosféricos e das condições locais.
Monitoramento deve passar a ser permanente
Uma das principais mudanças previstas é a implantação da chamada São Paulo Sempre Alerta – Operação El Niño 2026/2027.
A proposta amplia o modelo de preparação para eventos extremos, com monitoramento mais frequente das condições meteorológicas e integração entre órgãos responsáveis pela resposta a emergências.
A estratégia ocorre em um momento em que municípios paulistas já vêm passando por treinamentos específicos relacionados ao El Niño, incluindo preparação para chuvas intensas, enxurradas, alagamentos e outros eventos severos.
O lançamento oficial da operação está previsto para as 15h desta quinta-feira, no Auditório Ulysses Guimarães, no Palácio dos Bandeirantes.
Obras para ampliar a segurança da água
Parte significativa dos investimentos envolve a segurança hídrica, com obras voltadas ao aumento da capacidade de armazenamento, produção e distribuição de água.
Entre as medidas antecipadas estão intervenções em reservatórios e sistemas de abastecimento, aumento da capacidade de estruturas hídricas e ações para reduzir perdas na rede.
O Estado já possui um programa de investimentos superior a R$ 25 bilhões destinado à resiliência do abastecimento de água, com obras previstas até 2030.
Entre elas estão novas estações de tratamento, reservatórios e sistemas de interligação destinados a reforçar o abastecimento em períodos de estiagem.
Enchentes e desassoreamento também entram no plano
O pacote também prevê medidas destinadas à prevenção de enchentes.
Entre as ações antecipadas estão intervenções de desassoreamento em rios importantes, incluindo Tietê e Pinheiros, além de projetos de infraestrutura e modernização dos sistemas utilizados para acompanhamento de eventos extremos.
As medidas deverão abranger tanto períodos de excesso de chuva quanto situações de estiagem e temperaturas elevadas.
Saúde também faz parte da estratégia
Os efeitos do clima não ficam restritos à infraestrutura.
O Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática inclui a saúde entre seus principais eixos, considerando impactos relacionados ao aumento de doenças transmitidas por vetores, ondas de calor e outras consequências associadas aos eventos climáticos extremos.
Entre as medidas antecipadas para a nova etapa estão ações de vigilância epidemiológica, aquisição de medicamentos e vacinas e ampliação de estruturas de atendimento.
O PEARC foi lançado originalmente em junho de 2025 e reúne políticas destinadas a preparar São Paulo para os efeitos das mudanças climáticas.
O plano possui 46 ações e 233 subações, das quais 101 foram selecionadas para o primeiro ciclo de implementação, iniciado em 2025.
O que muda para as cidades paulistas
Além das grandes obras estaduais, a estratégia depende da articulação com os municípios.
Defesas Civis municipais vêm sendo treinadas para atuar em situações provocadas por chuvas intensas, enxurradas, alagamentos e outros fenômenos extremos, além de elaborar e atualizar planos locais de contingência.
A proposta é integrar Estado, municípios, concessionárias e outros órgãos para que as respostas sejam acionadas mais rapidamente diante de alertas meteorológicos.
Os detalhes finais da Operação El Niño 2026-2027 e das novas diretrizes do plano estadual serão apresentados oficialmente pelo Governo de São Paulo na tarde desta quinta-feira.