Moradores de Glicério (SP) relatam problemas com a qualidade da água distribuída pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e alegam estar passando mal após o consumo. As reclamações ganharam força após relatos de alteração no cheiro da água, descrito por moradores como semelhante ao de esgoto, levantando preocupações sobre possíveis riscos à saúde.
Segundo informações divulgadas em 13 de outubro de 2026, as queixas surgiram após uma manutenção na rede de abastecimento. Desde então, moradores passaram a questionar a qualidade da água fornecida às residências e a relatar mal-estar após o consumo. Até o momento, porém, não há confirmação laboratorial de que os sintomas relatados tenham sido causados pela água.
Diante das reclamações, a Prefeitura de Glicério informou que solicitou esclarecimentos e providências urgentes à Sabesp. No dia 14 de outubro, a Vigilância Sanitária municipal realizou a coleta de amostras de água em diferentes pontos da cidade, inclusive em locais onde não havia reclamações, para investigar uma possível contaminação.
As amostras seriam encaminhadas para análises laboratoriais, incluindo exames bacteriológicos destinados a avaliar a qualidade da água e verificar a possível presença de microrganismos.
A Sabesp, por sua vez, informou que realizou a limpeza das redes de distribuição e do reservatório no dia 13 de outubro. A companhia também afirmou que análises laboratoriais indicaram que a água distribuída atendia aos padrões de potabilidade estabelecidos pelos órgãos competentes.
Confira a nota da Sabesp na íntegra:
“A Sabesp informa que a ocorrência foi solucionada e o abastecimento de água na região já está totalmente normalizado. A alteração momentânea na característica da água foi detectada após manutenção corretiva no sistema. Assim que a situação foi identificada, equipes técnicas da Companhia atuaram prontamente e, na tarde de ontem (13/10), realizaram o esvaziamento e a limpeza das redes e do reservatório que atende essa região.
A Companhia destaca ainda que foram realizadas análises laboratoriais para verificar os parâmetros de qualidade da água, cujos resultados confirmaram que a água distribuída atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelos órgãos competentes.
A Sabesp permanece à disposição dos clientes por meio de seus canais de atendimento. Ocorrências e solicitações podem ser registradas gratuitamente pela Central de Atendimento, no telefone 0800 055 0195, pelo WhatsApp (11) 3388-8000ou pela Agência Virtual disponível em www.sabesp.com.br.”
Distribuição de água no dia 14 levanta questionamentos
Outro ponto que chama a atenção é que, no dia 14 de outubro, mesmo após a Sabesp afirmar que a ocorrência havia sido solucionada e que a água atendia aos padrões de potabilidade, houve distribuição de água na cidade, conforme relato apresentado à reportagem. A situação levanta questionamentos entre os moradores sobre os procedimentos adotados pela companhia para garantir a segurança do abastecimento naquele período.
A distribuição de água, por si só, não comprova uma contradição na nota da empresa, uma vez que a Sabesp declarou que o abastecimento estava normalizado. No entanto, diante das reclamações sobre as características da água e dos relatos de mal-estar, é importante esclarecer se as medidas de limpeza e as análises laboratoriais haviam sido concluídas antes da distribuição e se os resultados podem ser consultados publicamente.
Apesar do posicionamento da companhia, moradores continuam preocupados com a situação e com os possíveis efeitos à saúde. A divulgação dos resultados das análises é importante para esclarecer as dúvidas da população e permitir que as autoridades sanitárias avaliem o caso.
Até o momento da apuração desta reportagem, a equipe não havia tido acesso ao laudo laboratorial para conferir os resultados dos exames realizados. Embora a Sabesp tenha afirmado, em nota divulgada em 14 de outubro, que a água atendia aos padrões de potabilidade, a reportagem ainda busca acesso ao documento e aos resultados das análises mencionadas pela empresa.
Prefeitura é questionada sobre atendimentos e resultado das análises
Nesta sexta-feira (23), a reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Glicério para solicitar uma nota oficial com informações sobre o número de pessoas atendidas nas unidades de saúde após relatarem possíveis sintomas relacionados ao consumo da água. Também foram solicitados esclarecimentos sobre os resultados das análises laboratoriais das amostras coletadas pela Vigilância Sanitária.
Sobre os atendimentos de saúde e as análises da qualidade da água
Nota de esclarecimento da Prefeitura de Glicério
“A Prefeitura Municipal de Glicério informa que, após contato com a Secretaria Municipal de Saúde e com a responsável técnica da Unidade Básica de Saúde (UBS), foram levantadas informações referentes aos atendimentos realizados nas últimas 48 a 72 horas.
De acordo com os dados levantados, foram registrados atendimentos de pacientes com sintomas como diarreia, vômito e sintomas gripais. Segundo os profissionais de saúde consultados, esses sintomas podem estar associados a quadros virais comuns. Até o momento, não há evidências conclusivas que permitam estabelecer uma relação direta entre esses atendimentos e a qualidade da água distribuída no município.
Também foi informado que casos com sintomas semelhantes foram registrados em diferentes regiões da cidade, incluindo os bairros São João, Mauro Castilho, Olvandir e Centro, além de localidades da zona rural. Essa distribuição está sendo considerada na avaliação dos órgãos de saúde, mas, isoladamente, não permite determinar a origem dos sintomas.
Em relação à qualidade da água, os resultados das análises laboratoriais encaminhadas a um laboratório em Araçatuba não apontaram alterações nos parâmetros bacteriológicos avaliados, incluindo os indicadores analisados para verificar possível contaminação fecal. No entanto, a Vigilância Sanitária de Araçatuba solicitou a coleta de uma nova amostra e a realização de exames por outro laboratório, com o objetivo de complementar a investigação e ampliar a segurança dos resultados.
Quanto aos níveis de cloro, foram identificadas variações que estão sendo verificadas e ajustadas pelos responsáveis.
A Administração Municipal ressalta que, neste momento, não é possível afirmar que os sintomas relatados pela população estejam relacionados ao consumo de água. A investigação continuará, e os resultados das novas análises serão fundamentais para esclarecer a situação com maior precisão.
A Prefeitura reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade e a proteção da saúde pública, mantendo o acompanhamento do caso junto aos órgãos competentes e adotando as providências necessárias conforme os resultados técnicos e as orientações das autoridades sanitárias.”
Enquanto persistirem dúvidas sobre a qualidade da água, moradores que identificarem alterações no cheiro, na cor ou no aspecto devem buscar orientação junto à Vigilância Sanitária e às autoridades de saúde sobre o consumo. Pessoas que apresentarem sintomas como vômitos, diarreia ou dor abdominal devem procurar atendimento médico, especialmente em caso de piora ou sinais de desidratação.
O caso reforça a importância da transparência na divulgação dos resultados laboratoriais e das informações sobre possíveis atendimentos de saúde, para que a população de Glicério possa compreender o que ocorreu e quais medidas foram adotadas para garantir a segurança da água fornecida às residências.