Mulher presa por homicídio diz que reagiu para sobreviver

Vanessa Scheel está presa e será julgada em Araçatuba; defesa sustenta que ela reagiu após mais de dez anos de violência doméstica.
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O caso de Vanessa Lemos Soares Scheel, presa desde agosto acusada de matar o marido, ganhou novos contornos nesta semana com a divulgação de uma nota pública assinada pelos advogados de defesa, Dr. César Franzói e Dra. Isabela Fioroto. O documento sustenta que a ré agiu em legítima defesa, após anos de agressões e ameaças.

O crime

O homicídio ocorreu em 21 de agosto. Conforme boletim de ocorrência, durante a tarde, Vanessa relatou ter sido agredida e ameaçada pelo marido, Dirceu, que teria deixado um revólver calibre 38 sobre o balcão da casa.

À noite, quando o marido estava sentado em frente à residência, Vanessa pegou a arma, apontou para a cabeça dele e disparou. O tiro atingiu a têmpora e a morte foi imediata.

Ao ser presa, ela declarou à polícia: “Não me agredia mais”, indicando que a ação foi motivada pelo histórico de violência. O revólver foi apreendido com cinco munições — quatro intactas e uma deflagrada.

Vanessa está atualmente detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP). O Ministério Público a acusa de homicídio qualificado, e no dia 29 de outubro de 2025, a Justiça decidirá se ela será pronunciada para julgamento pelo Tribunal do Júri de Araçatuba.

Nota pública da defesa

No documento divulgado nesta semana, a defesa descreve que Vanessa viveu por mais de uma década sob agressões físicas, morais e psicológicas, sendo constantemente ameaçada.

“Entre a vida e a morte — foi nesse ínfimo intervalo de tempo que Vanessa precisou decidir se viveria ou morreria”, destaca o texto.

Os advogados afirmam que, naquele dia, após ouvir do marido que não veria o amanhecer e ao ver a arma engatilhada sobre a mesa, ela reagiu por instinto de sobrevivência, em “legítima defesa e sob violenta emoção”.

O documento também critica a postura do Ministério Público, que, segundo a defesa, ignora a condição de vítima:

“Se o caso fosse uma denúncia de violência doméstica, a palavra de Vanessa teria plena validade — mas, por ter agido para salvar a própria vida, sua voz é questionada”, diz a nota.

A defesa cita dados nacionais que mostram que 60% das mulheres não denunciam seus agressores, e que as formas mais comuns de violência são psicológica (89%) e moral (77%).

Para os advogados, o caso de Vanessa representa milhares de mulheres silenciadas pela violência doméstica no país.

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