Amanda da Silva, de 30 anos, era mãe de três filhos, de 4, 5 e 7 anos, e tinha na família e na fé alguns dos principais vínculos de sua vida. Natural de Jandira, na Grande São Paulo, ela morava havia cerca de sete anos em São José do Rio Preto, no interior paulista.
Amanda estava desaparecida desde o dia 19 de julho, quando saiu da casa de uma prima, no bairro Solo Sagrado, dizendo que retornaria em pouco tempo. O corpo foi encontrado oito dias depois, na manhã de 27 de julho, dentro de uma lixeira no bairro Parque Estoril.
A identificação foi confirmada pela Polícia Civil nesta terça-feira (18), 22 dias após a localização dos restos mortais. O reconhecimento foi possível por meio do cruzamento de informações e de exames periciais realizados com material biológico fornecido pela família.
A irmã de Amanda, Ingrid Silva, contou que a vítima era muito ligada aos filhos e procurava manter contato com eles mesmo durante os períodos em que enfrentava dificuldades relacionadas à dependência química.
“Ela ligava todos os dias. Queria sempre saber dos filhos. Mesmo quando estava sem celular, arrumava um emprestado só para saber das crianças”, relatou.
Segundo a família, Amanda não vivia em situação de rua. Ela tinha um local onde morar e também passava períodos na casa de amigos. A irmã também recorda que a vítima era cuidadosa com a aparência.
“Ela sempre foi muito limpa e vaidosa. Estava sempre maquiada, com as unhas pintadas e usando brincos”, contou Ingrid.
Uma vida marcada por tentativas de recomeço
Amanda enfrentava a dependência química desde os 13 anos e, de acordo com os familiares, passou por períodos de tratamento e também por recaídas.
A prima com quem ela morava em Rio Preto era uma das pessoas que mais acompanhavam sua rotina. Segundo a família, ela levava Amanda a consultas, à igreja e também ajudava nos cuidados com os filhos.
Quando os familiares souberam que uma mulher havia sido encontrada morta e esquartejada em São José do Rio Preto, o temor de que a vítima fosse Amanda aumentou. Apesar da suspeita, a família manteve a esperança de que não se tratasse dela até a confirmação oficial da identidade.
Ingrid participou do processo de identificação e forneceu material biológico para a realização dos exames.
“Eu só queria entender por que ele fez uma maldade tão grande com a minha irmã. Ela não merecia terminar assim”, lamentou.
Amanda deixa a mãe, quatro irmãos e três filhos. Parte da família mora em Barretos, onde deverá ocorrer o velório.
O açougueiro Marciel Dias dos Santos, de 29 anos, permanece preso temporariamente e é apontado pela Polícia Civil como suspeito de ser o autor do crime. A investigação continua para esclarecer as circunstâncias e a motivação do homicídio.
Redação: Everaldo Marques/Colaboração: Beatriz Silva