Um total de 40 órteses ortopédicas foi repassado oficialmente à Santa Casa de Araçatuba pelo Rotary Club Araçatuba Cruzeiro do Sul, durante evento que será realizado na noite de segunda-feira (5). O preço de um par de órteses varia de R$ 250,00 à R$ 700,00.
As órteses foram conseguidas pela ortopedista pediátrica Dra. Renata Esteves Cassiano junto ao também ortopedista pediátrico Dr. Ricardo Innecco de Castro, que coordena o Projeto “Mudando a Vida das Crianças com Pé Torto no Brasil”, uma iniciativa social idealizada e desenvolvida pelo Rotary Club de São Carlos – Norte (Estado de São Paulo).
“Soubemos que havia órteses remanescentes do programa que eles realizam em São Carlos. Entrei em contato com o Dr. Ricardo, que prontamente cedeu as 40 órteses”, explica a Dra. Renata, ao informar que o repasse foi intermediado pelo Rotary Club Cruzeiro do Sul.
Durante o evento que reuniu integrantes do Clube, o provedor da Santa Casa de Araçatuba, Dr. Éverton Santos; a Dra. Renata Cassiano, coordenadora do Ambulatório de Ortopedia Pediátrica; e o Dr. Fabricio Benez, coordenador do Serviço de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de Araçatuba, o presidente do Rotary Cruzeiro do Sul explicou que o repasse das órteses faz parte de um projeto aprovado pelo clube em parceria com o Rotary Club de São Carlos. “ Inicialmente seriam 20 órteses, que para nossa alegria, a quantidade foi dobrada, informou Ricardo Mazzarioli.
“As órteses serão utilizadas nos pacientes a título de empréstimo. Conforme forem sendo substituídas por tamanhos para acompanhar o crescimento dos pés das crianças, a família devolve a órtese anterior. Com isso manteremos nosso banco de órtese abastecido”, explicou Dra. Renata.
“ O mérito desse projeto é dessa equipe maravilhosa e do Rotary Club, que em quando instituição, respalda iniciativas voltadas à comunidade. Isso transborda nosso coração de alegria e isso também é a Santa Casa de Araçatuba, que a despeito de desafios e dificuldades, permanece lutando para entregar a melhor Saúde para uma região formada por 40 municípios que dependem desta instituição como ultima trincheira para cuidar da saúde”, declarou o provedor do hospital, Dr. Éverton Santos.
Órteses
Órteses são aparelhos ortopédicos utilizados no tratamento de crianças que nascem com pé torto congênito. Conhecido também como síndrome do pé torto, trata-se de uma malformação musculoesquelética presente desde o nascimento, em que o pé do bebê nasce virado para dentro e para baixo.
Coordenadora do Ambulatório de Ortopedia Pediátrica da Santa Casa de Araçatuba, a especialista explica que cada par de órtese das repassadas aos pacientes em acompanhamento pela unidade é formado por duas botinhas conectadas por uma barra metálica ou rígida. Elas servem para manter os pés da criança virados para fora e na posição correta, evitando que a deformidade retorne após a fase de correção com gessos.
O Ambulatório e o Cenário Regional
O pé torto congênito é uma das demandas principais do Ambulatório de Ortopedia Pediátrica da Santa Casa de Araçatuba. Criado há pouco mais de um ano, a unidade é referência para as 40 cidades da região, atende em média 50 pacientes por mês. Desse total, boa parte são pacientes em tratamento de pé torto congênito.
A média de idade dos pacientes atendidos é entre seis meses e um ano, faixa etária considerada tardia pela Dra. Renata, porém um cenário diferente do registrado no início das atividades do Ambulatório. “Recebemos crianças com mais idade e que, mesmo com as sequelas, já estavam andando. Mesmo assim, a gente fez o tratamento tanto com o gesso quanto cirúrgico”, afirma.
De acordo com a especialista, o ideal é que a síndrome seja diagnosticada a partir da vigésima semana de gestação. Isso pode ser feito no pré-natal por ultrassom morfológico, ou por confirmação do pediatra/ortopedista logo após o nascimento. Com o funcionamento do Ambulatório de Ortopedia Pediátrica na Santa Casa de Araçatuba, essa conduta tem se transformado em regra. “Temos realizado avaliações e diagnósticos em bebês que nascem na Maternidade (do hospital) e os encaminhamos para acompanhamento no Ambulatório”, informa a Dra. Renata.
Olhar Social e o Banco de Órteses
O compromisso da equipe em relação ao tratamento adequado também tem um olhar social. O repasse das 40 órteses [Nota: alterado de ‘próteses’ para ‘órteses’ para manter a consistência técnica] que serão utilizadas em crianças com esse perfil é o início de uma espécie de Banco de Órteses que a médica quer instituir.
“A ideia é que, conforme os aparelhos ficarem pequenos para os pacientes, as famílias os devolvam para o Ambulatório para utilização por pacientes da mesma idade”, explica a Dra. Renata, ao afirmar que isso vai ajudar a garantir que crianças de famílias carentes tenham acesso aos equipamentos necessários para o alinhamento correto dos pés, permitindo que aprendam a andar sem sequelas graves ou limitações motoras.
Guia Rápido: Pé Torto Congênito
O que é: Uma malformação musculoesquelética presente desde o nascimento em que o pé do bebê nasce virado para dentro e para baixo.
Afeta os músculos, tendões e ossos da região abaixo do joelho.
Deixa a sola do pé voltada para o lado ou para dentro.
Pode ocorrer em apenas um pé (unilateral) ou nos dois (bilateral).
Diagnóstico: Pode ser feito no pré-natal por ultrassom morfológico a partir da 20ª semana ou confirmado pelo pediatra/ortopedista logo após o nascimento.
Tratamento: Deve começar logo nas primeiras semanas de vida, quando os tecidos do bebê são mais flexíveis.
Método Ponseti: É o tratamento padrão-ouro mundial. Consiste na troca sucessiva de gessos semanais para alinhar os ossos progressivamente, seguida pelo uso de uma órtese (como a de Denis Browne) para manter a correção.