PF considera “atípico” baixo número de prisões em megaoperação contra PCC

Dos 14 mandados de prisão preventiva da Operação Carbono Oculto, apenas 6 foram cumpridos
© Policia Federal/divulgação
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A Operação Carbono Oculto, deflagrada na manhã de quinta-feira (28), enfrentou um resultado considerado incomum pelas autoridades policiais. De acordo com delegados federais envolvidos na ação, o fato de apenas 6 dos 14 mandados de prisão preventiva terem sido cumpridos representa uma situação “totalmente atípica” para operações desta magnitude.

Um dos delegados responsáveis pela operação expressou publicamente o descontentamento com os resultados: “É totalmente atípico em nossas operações acontecer isso. Prender menos do que se deveria. Geralmente, escapa um ou outro. E não a maioria como agora. Temos que investigar o porquê disso”.

Dennis Cali, diretor de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, confirmou que “alvos importantes não foram encontrados”, mas garantiu que as equipes continuam trabalhando para dar cumprimento a todas as ordens judiciais expedidas, possivelmente até o final da semana.

Suspeitas de vazamento mobilizam nova investigação

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou durante coletiva de imprensa que a corporação investigará um possível vazamento de informações sobre a megaoperação. Segundo apuração, alguns alvos deixaram seus endereços antes da chegada dos agentes, levantando suspeitas sobre o comprometimento do sigilo da operação.

“Se houver indício de vazamento, nós vamos investigar”, declarou Rodrigues, enfatizando que esta se tornou uma questão prioritária para a Polícia Federal. Os investigadores consideram fundamental esclarecer se houve falha na segurança das informações e de onde pode ter partido eventual vazamento.

Líderes do esquema permanecem foragidos

Entre os 8 fugitivos estão os principais articuladores do esquema bilionário: Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, “João” ou “Jumbo”, considerado o “epicentro” da organização, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, apontado como colíder do grupo. Mourad já havia sido preso em 2010 por tentativa de suborno a policiais civis, quando foram encontradas munições de metralhadora .50 em sua posse.

Outros foragidos incluem Daniel Dias Lopes, considerado “pessoa-chave” por suas ligações com distribuidoras de combustíveis, sua esposa Miriam Favero Lopes, sócia de empresas ligadas às fraudes, e empresários do setor como Felipe Renan Jacobs e Renato Renard Gineste.

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