Jovem baleada em Araçatuba morre após três meses internada

O crime aconteceu por volta das 3h40, nas imediações da Praça Gêmeas.
Foto: Santa Casa de Araçatuba/Divulgação
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A jovem Natália Cristina da Cruz Miranda, de 21 anos, morreu no fim da noite desta segunda-feira (31), na Santa Casa de Araçatuba (SP), após permanecer internada por mais de três meses em decorrência de um disparo de arma de fogo sofrido durante um ataque registrado em 17 de maio deste ano, no bairro Planalto, em Araçatuba. 

O crime aconteceu por volta das 3h40, nas imediações da Praça Gêmeas, próximo a uma tabacaria na Rua São Bernardo. Na ocasião, dois indivíduos em uma motocicleta de cor azul, possivelmente uma Honda XRE, se aproximaram e o garupa efetuou diversos disparos contra as vítimas.

Wilson Barbosa Modaneis, de 30 anos, também foi atingido. Ele estava em uma motocicleta Honda Biz e morreu ainda no local.

Segundo o boletim de ocorrência, Wilson apresentava oito perfurações provocadas por disparos de arma de fogo, sendo três na região axilar esquerda, uma no tórax esquerdo, uma no tórax direito, duas no abdômen esquerdo e uma no abdômen direito. A suspeita era de que os criminosos utilizaram munição calibre 9 milímetros.

Natália foi atingida por um disparo na cabeça, do lado direito. Na ocasião, ela foi socorrida em estado gravíssimo e encaminhada para a Santa Casa de Araçatuba. Segundo informações, a jovem sofreu perda de massa encefálica e permaneceu internada desde então.

Apesar do tratamento médico, Natália não resistiu aos ferimentos e morreu na noite de segunda-feira (31 de agosto), mais de três meses após o ataque.

Um rapaz de 26 anos também foi baleado durante o crime. Ele foi atingido na perna direita, abaixo do joelho, e não corria risco de morte.

CIRURGIAS E COMPLICAÇÕES

De acordo com o relato do pai, Natália passou por diversos procedimentos cirúrgicos durante a internação, incluindo a retirada do projétil, procedimentos de limpeza e enxerto de pele.

Posteriormente, teria sido implantada uma válvula para tratamento de hipertensão intracraniana. O pai também relatou que a filha desenvolveu meningite, que, segundo ele, teria sido adquirida durante a internação hospitalar.

O declarante apontou ainda possíveis problemas no funcionamento da válvula implantada em junho. Conforme o relato, o dispositivo não estaria realizando adequadamente a drenagem do líquido cerebral, situação que teria contribuído para o aumento das convulsões apresentadas pela paciente.

Segundo o pai, o problema teria sido corrigido somente dias depois, após uma intervenção realizada por outro profissional da equipe médica.

FAMÍLIA CONTRATOU MÉDICO PARTICULAR 

Diante da evolução do quadro clínico, a família teria contratado um médico particular para avaliar o tratamento recebido por Natália.

Conforme relatado à Polícia Civil, esse profissional teria apontado possíveis equívocos na condução de procedimentos cirúrgicos e no manejo do caso. As informações, entretanto, fazem parte do depoimento da família e ainda serão analisadas durante a investigação.

O pai também relatou à polícia que teria recebido informações desencontradas por parte do hospital em relação à data e ao horário exatos do falecimento da filha.

SANTA CASA LAMENTA O ÓBITO

Procurada pela reportagem, a Santa Casa de Araçatuba lamentou profundamente o óbito da paciente, que permaneceu internada na instituição durante 104 dias, a maioria dos quais em leito intensivo, em quadro clínico grave e instável.

Nesse longo período, dezenas de profissionais, entre médicos de várias especialidades e equipes multidisciplinares, atuaram de forma eficiente na tentativa de reverter os graves danos causados por um disparo de arma de fogo que atingiu gravemente o crânio da paciente.

O hospital também afirmou que, durante o período de internação, os familiares foram mantidos informados sobre a gravidade do quadro clínico e sua evolução.

Por fim, a Santa Casa, ao se solidarizar com os familiares da paciente neste momento de dor, declarou que todos os profissionais que a atenderam, direta ou indiretamente, prestaram tratamento especializado, qualificado e adequado à gravidade do quadro clínico.

INVESTIGAÇÃO

Até o momento, nenhum suspeito foi identificado ou preso em decorrência do ataque. A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar os autores dos disparos e esclarecer a motivação do crime.

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