Três pessoas suspeitas de integrar uma associação criminosa especializada no chamado “golpe do falso advogado” foram presas nesta terça-feira (11), na região de Itaquera, zona leste de São Paulo, durante a Operação Apate, da Polícia Civil. Cinco pessoas são investigadas. A ação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, e os outros dois investigados seguem foragidos e são procurados.
A identificação dos cinco investigados ocorreu após cerca de seis meses de apurações. Os três presos têm entre 23 e 25 anos. Coordenada pela Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Barretos, a operação também cumpriu sete mandados de busca e apreensão e teve apoio de equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE), Grupo Especial de Reação (GER) e Divisão de Capturas.
De acordo com a investigação, os suspeitos usavam aplicativos de mensagens, chamadas de vídeo, compartilhamento de tela e imagens com símbolos e referências ao Poder Judiciário para dar aparência de legitimidade às abordagens e convencer as vítimas de que havia valores judiciais disponíveis. Os investigados teriam utilizado, sem autorização, imagens e dados de profissionais da advocacia, além de informações processuais e pessoais obtidas de forma ilícita. As provas reunidas apontam divisão de tarefas e compartilhamento de recursos tecnológicos entre os integrantes.
A investigação começou depois que um mecânico de 47 anos, de Barretos, registrou boletim de ocorrência. Conforme o relato da apuração, ele recebeu por aplicativo uma mensagem de um suspeito que se passava por seu advogado e dizia que o mecânico havia ganhado um processo judicial. Para receber o dinheiro da causa sem pagar impostos extras, deveria fazer uma transferência de quase R$ 10 mil. A vítima percebeu o golpe antes de concluir a transferência, mas havia clicado no link enviado pelo suspeito, o que resultou em prejuízo financeiro.
Durante as buscas, foram apreendidos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento digital, documentos e outros materiais, que serão submetidos à perícia. A Polícia Civil identificou indícios de envolvimento da associação em outras fraudes eletrônicas e possíveis conexões com ocorrências registradas em unidades policiais de diferentes municípios brasileiros. Os materiais apreendidos poderão contribuir para o aprofundamento das investigações, enquanto as buscas pelos dois investigados foragidos prosseguem. Os casos estão sendo registrados na Central de Polícia Judiciária de Barretos.
O nome Operação Apate faz referência a Apate, figura da mitologia grega associada ao engano, à fraude e à dissimulação. A denominação foi adotada em alusão ao modo de atuação atribuído ao grupo investigado.