MBL rompe com Tarcísio e anuncia que terá candidato próprio à presidência em 2026

O rompimento foi motivado pelo Projeto de Lei Complementar nº 20/2025 da Defensoria Pública, que cria 300 cargos com custo de R$ 305 milhões até 2027
TSE - Tribunal Superior Eleitoral Urna eletrônica
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O Movimento Brasil Livre (MBL) formalizou na última quinta-feira (21) o rompimento com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), através da saída do deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil) da vice-liderança do governo na Assembleia Legislativa. A decisão marca o fim de uma aliança política que durou dois anos e abre caminho para os planos presidenciais do movimento em 2026.

O estopim do rompimento foi o apoio do governo ao Projeto de Lei Complementar nº 20/2025, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que cria 300 novos cargos com impacto financeiro de R$ 305 milhões até 2027. “É com muita tristeza que eu subo ao plenário para discutir mais um péssimo projeto que vai aumentar privilégios da elite do funcionalismo público”, declarou Guto Zacarias na tribuna da Alesp.

Críticas ao “patrimonialismo” de Tarcísio

O coordenador nacional do MBL, Renan Santos, foi mais contundente nas críticas ao governador, afirmando que Tarcísio faz um governo “convencional” e “patrimonialista”. “Tarcísio se aproxima cada vez mais do patrimonialismo de Ciro Nogueira, seu provável vice, e se distancia dos princípios que geraram nossa aproximação”, disse Santos.

As principais razões para o desembarque incluem o aumento salarial de procuradores paulistas que já ganham R$ 40 mil, a criação de 1.300 novos cargos no Tribunal de Justiça com impacto de R$ 20 milhões mensais, além dos 130 novos cargos para a Defensoria Pública. “Eu não quero mais privilégio para o Judiciário”, declarou Guto Zacarias.

Estratégia para 2026

O rompimento já era esperado, considerando que o MBL pretende lançar candidatos próprios a governador e presidente da República em 2026 pelo partido Missão. Santos explicou que “nossos projetos para 26 são como água e óleo” em relação à gestão Tarcísio.

O partido Missão está em processo final de registro no Tribunal Superior Eleitoral, após coletar mais de 800 mil fichas de apoio, superando as 547.042 exigidas pela legislação. Segundo o movimento, mais de 200 mil assinaturas já foram validadas pelo TSE.

Para a disputa presidencial de 2026, o MBL cogita realizar prévias internas entre o ex-deputado estadual Arthur do Val (Mamãe Falei) e o empresário e comentarista Cristiano Beraldo. Arthur do Val, que teve o mandato cassado em 2022 pela Alesp após polêmicas declarações sobre mulheres ucranianas, está inelegível até 2030, mas pode tentar reverter a decisão judicialmente.

“O partido precisa ter uma candidatura majoritária, nós precisamos disputar a presidência da República. Não queremos de jeito nenhum ficar reféns, novamente, de candidatos que não nos representam”, afirmou Arthur do Val. Outros nomes mencionados incluem Danilo Gentili e o próprio Renan Santos, embora este último já tenha declarado não ter interesse em disputar cargos eletivos.

Histórico de mudanças partidárias

Esta não é a primeira mudança partidária significativa do MBL. Em 2022, o movimento deixou o Podemos após a crise gerada pelas declarações de Arthur do Val sobre mulheres ucranianas. Na época, o grupo migrou para o União Brasil, mas sempre manteve o objetivo de criar uma sigla própria.

A relação com Tarcísio começou após sua vitória eleitoral em 2022, quando o MBL, que era crítico do governador durante o mandato de Bolsonaro, decidiu se aproximar da nova gestão. A indicação de Guto Zacarias como vice-líder do governo chegou a gerar desconforto no bolsonarismo, especialmente após o deputado gravar vídeo criticando indicações de Bolsonaro ao STF.

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