O empresário Luciano Hang, proprietário da rede de lojas Havan, foi identificado pela Polícia Federal como um dos principais financiadores da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) enquanto ela estava foragida da Justiça brasileira. Segundo relatório enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Hang teria feito uma transferência bancária via Pix no valor de R$ 5 mil para Zambelli durante a campanha de arrecadação organizada pela deputada em maio deste ano.
A investigação detalhou que, entre 8 e 24 de maio de 2025, Zambelli recebeu doações de apoiadores em uma vaquinha virtual divulgada pelo site oficial da própria parlamentar. Somente nesse período, ela movimentou R$ 339 mil entre contas bancárias de sua titularidade. As contribuições de maior valor foram destacadas no relatório, incluindo doações de outros empresários e aliados próximos.
O relatório aponta que Carla Zambelli já estava sendo investigada por tentativa de obstrução de investigações conduzidas pelo Supremo e, após deixar o país, intensificou campanhas públicas contra o Judiciário, buscando apoio financeiro e político para sua defesa. Parte da arrecadação, segundo as apurações, teria como objetivo financiar sua fuga e novos deslocamentos no exterior.
Entre outros doadores identificados estão empresas de transporte e figuras do setor empresarial, além de membros do gabinete e familiares da deputada. As investigações buscam esclarecer o papel de cada apoiador e determinar se houve infração penal além das movimentações financeiras.
A defesa de Luciano Hang, ao ser questionada sobre o repasse, afirmou que o empresário fez uma doação à deputada Carla Zambelli, “a qual conheço desde 2018, apenas como um gesto de solidariedade e generosidade”. “Recebi de um amigo o vídeo da deputada, em que ela relatava precisar de recursos para pagar advogados e contou que o próprio pai vendeu o carro para ajudá-la. (…) Fiquei consternado com a situação e decidi colaborar, assim como ajudo mensalmente centenas de pessoas. Fiz esse gesto simples, de forma transparente e dentro da legalidade”, disse.
A Polícia Federal, no entanto, mantém o monitoramento das movimentações e a análise de possíveis crimes relacionados a financiamento de pessoas sob ordem de prisão judicial.