Um levantamento recente revelou que uma empresa pertencente a um sócio do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, recebeu R$ 12 milhões em contratos de publicidade celebrados com estatais federais durante o governo Lula. Os principais contratos são com a Caixa Econômica Federal e a Embratur, firmados nos últimos dois anos.
O montante milionário foi destinado, principalmente, à produtora Macaco Gordo, que tem como administrador Francisco Kertész, sócio de Sidônio na agência Nordx (ex-M4 Comunicação). Os pagamentos ocorreram por intermédio de grandes agências de publicidade que gerenciam campanhas oficiais das estatais e subcontrataram os serviços audiovisuais da produtora.
Sidônio Palmeira declarou que, desde que assumiu o ministério, deixou a administração direta da Nordx, embora continue como sócio. O ministro ressaltou não ter participação nas decisões de contratos firmados pela produtora ou por agências terceirizadas e negou interferência no direcionamento dos recursos públicos.
“A escolha de qualquer fornecedor terceirizado, pelas agências licitadas, ocorre sem intervenção da Secom. O regramento em vigor obriga que as agências obtenham cotações de pelo menos três empresas capazes de prestar aquele serviço, de modo que a ofertante do menor preço o execute. No processo de aprovação das campanhas, compete à secretaria aprovar a linha conceitual e a alocação dos recursos nos diferentes veículos, à luz dos normativos de mídia técnica consolidados na legislação e nos acórdãos do Tribunal de Contas da União”, afirmou a Secom, em nota.
O caso levanta questionamentos quanto à transparência e governança na contratação de serviços de publicidade por órgãos públicos federais. No total, segundo as apurações, o sócio de Sidônio visitou 13 vezes o Palácio do Planalto em 2025, alimentando debates sobre proximidade e possível conflito de interesses.
Em nota, a Caixa e a Embratur afirmaram que a contratação das empresas seguiu processos licitatórios regulares, sendo executada por intermédio de agências selecionadas em certames públicos. Parlamentares da oposição, no entanto, prometem pressionar por esclarecimentos detalhados sobre os contratos e regras de compliance no setor público de comunicação.