EUA ameaçam países que negociam com o Irã com tarifa de 25% e pode afetar o Brasil

O governo brasileiro informou que aguarda a formalização da ordem executiva dos EUA para se manifestar oficialmente.
Foto: Divulgação
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira (12) a imposição, com efeito imediato, de uma tarifa de 25% sobre qualquer país que mantenha relações comerciais com a República Islâmica do Irã. Segundo o chefe da Casa Branca, a taxação será aplicada a todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos por esses países, sem possibilidade de recurso.

O anúncio foi feito por Trump em sua rede social, no momento em que o Irã enfrenta uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos. De acordo com o presidente norte-americano, a decisão integra uma estratégia de pressão máxima sobre o regime de Teerã. Até o momento, a Casa Branca não divulgou os detalhes formais da medida nem esclareceu como será a aplicação prática das tarifas.

No Irã, os protestos se intensificaram nos últimos dias e se espalharam por diversas regiões do país. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que manifestações pacíficas são toleradas, mas atribuiu os distúrbios recentes à atuação de “terroristas do estrangeiro”. Organizações não governamentais apontam que a repressão das autoridades resultou em pelo menos 600 mortes.

O anúncio dos Estados Unidos acendeu um alerta no Brasil. Em 2025, o país manteve comércio de aproximadamente US$ 3 bilhões com o Irã, apesar de o parceiro representar apenas 0,84% das exportações brasileiras. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que o Irã foi o quinto principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita.

O comércio bilateral é fortemente concentrado no agronegócio. Milho e soja responderam por 87,2% das exportações brasileiras ao Irã no ano passado. Somente o milho representou 67,9% do total, com vendas superiores a US$ 1,9 bilhão, enquanto a soja somou cerca de US$ 563 milhões. Também figuram entre os principais produtos exportados açúcares, farelos de soja e petróleo.

As importações brasileiras provenientes do Irã foram significativamente menores, totalizando cerca de US$ 84 milhões em 2025, com predominância de adubos e fertilizantes. O histórico recente da relação comercial entre os dois países é marcado por oscilações, com pico de US$ 4,2 bilhões em exportações brasileiras em 2022, retração em 2023 e recuperação em 2024 e 2025.

A intensificação das relações comerciais entre Brasil e Irã também vem sendo acompanhada por iniciativas diplomáticas. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã visitou o Brasil e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, quando foi acertada a criação de um comitê agrícola bilateral para ampliar o intercâmbio técnico e facilitar o comércio. Desde agosto de 2023, o Irã integra o Brics.

Diante do anúncio de Trump, o governo brasileiro informou que aguarda a publicação oficial da ordem executiva norte-americana para avaliar os possíveis impactos econômicos e definir uma posição oficial. A medida ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã, marcadas por ameaças mútuas e pela possibilidade de agravamento do conflito.

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